Porque devíamos dizer mais boa noite? Essas razões vão te convencer

O ser educado é uma qualidade que não deve perder. Mas se une a cortesia a uma certa obsessão pelo rigor científico pode estar com algum problema. Devemos dizer boas tardes a partir do meio-dia? Há que esperar que caia o sol para dizer “boa noite”? Mas, quando cai realmente o Sol? Será que temos que ser astrônomos para que a nossa boa educação não fique na dúvida? Com a ciência na mão deveríamos dizer que, na realidade, não existe um só tipo de noite. Ou, melhor dito, não há um único crepúsculo. O crepúsculo é um intervalo de tempo em que o céu está iluminado, apesar de que a esfera do Sol, não se vê o horizonte, ou porque ainda não saiu porque ele foi escondido.

A ocultação do Sol no horizonte é um fenômeno progressivo e que tem que ver com a velocidade com que a Terra faz girar para a zona de sombra que não recebe os raios de sol para a escuridão. Nesse processo, existem quatro fases distintas. O primeiro é o crepúsculo civil. Começa quando o Sol desaparece definitivamente do horizonte e termina quando cai de 6 graus abaixo dele. Durante este tempo, mesmo que o sol não está visível, a luz dispersada pela atmosfera permite que as cidades não faça falta usar iluminação artificial. O segundo se chama crepúsculo náutico e dura até que o sol se situa a -12 graus.

Nesse momento aparecem as primeiras estrelas (que usam para orientar os navegantes) e ainda pode distinguir-se o horizonte: algo que também serve de grande ajuda para os marinheiros. A terceira fase é conhecida como crepúsculo astronômico. Ocorre quando o sol cai até -18 graus abaixo do horizonte. O céu fica praticamente preto, observa-se a quase totalidade das estrelas e torna-se indispensável iluminar as ruas e casas. Mas essa fase do crepúsculo ainda não pode ser noite fechada.

Tecnicamente, a noite começa alguns minutos depois, quando o sol cai abaixo de -18 graus em relação ao horizonte. Nas regiões situadas a mais de 48,5 graus de latitude norte ou sul (ou seja, nas proximidades dos pólos), durante o verão, o sol nunca chega a mais de 18 graus abaixo do horizonte; por isso, não há nunca de noite.

Embora costumamos acreditar que passamos metade de nossas vidas de dia e a outra metade de noite, o certo é que a noite (pelo menos foi o que tecnicamente deve ser considerada noite) ocupa muito menos da metade de um dia. As diferentes fases do crepúsculo no verão quase se comem por completo em Portugal as horas de noite. Em cidades como Londres, entre maio e agosto, apenas existe noite e se passa, como nos pólos, do crepúsculo astronômico ao amanhecer quase sem transição. Então, se dizemos “boa noite” em um país como a Espanha, temos muitas chances de estar adiantando-nos aos acontecimentos. Deveríamos dizer “bom crepúsculo”.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *