O perfil do jovem universitário brasileiro confirma: estudar é para os ricos no Brasil

A educação superior brasileira é uma educação de elite, pois a sua taxa líquida de escolarização chega a 10%. A pequena parcela de brasileiros que adentra que não fazem parte do perfil tradicional branco de classe média são os bolsistas, em maior parte, participantes do Programa Universidade para Todos (Prouni).

Para participar do programa é preciso comprovar baixa renda e passar na seleção do programa que é feita uma vez ao ano. Os resultados podem ser consultados em resultadoprouni2019.com.br

Perfil do Jovem Universitário Brasileiro

O perfil do jovem universitário brasileiro

Os dados mostram que a taxa bruta de escolarização era mínima em 1960: 1% da população do grupo de idade correspondente (18 a 24 anos) estava estudando. Apesar do aumento das décadas posteriores, ainda continua a ter uma taxa de escolarização escassa, quando comparada com um conjunto de países selecionados: em 2002-2003 esta taxa era de 21%.

Comparado com os outros países, o Brasil apresenta pouco porcentagem da população de 18 a 24 anos na educação superior, não apenas em relação aos países desenvolvidos, mas também com os latino-americanos e os emergentes.

A partir de 1915 foram implantados exames de admissão, chamados vestibulares, para selecionar os alunos e, especialmente, na década de sessenta houve pressões dos estudantes para ampliar o acesso, pois nessa época abundavam os “excedentes”: alunos que aprovam o exame, mas não acediam por falta de vagas. O setor privado, com a criação de “Faculdades” no interior de alguns estados, foi absorvendo parcialmente esses estudantes. Depois, entre 1996 e, atualmente, também foi nesse setor que incorporou aos estudantes.

O histórico escolar

Observa-se, então, que 42% dos estudantes das instituições de educação superior privadas, em 2004, haviam cursado o seu ensino médio em escolas públicas, enquanto que 38% tinham feito em escolas privadas (outros 20% cursou o ensino médio em escolas públicas e privadas).

Em contrapartida, os alunos que estavam estudando em instituições de ensino superior públicas apresentam os seguintes dados: 52% deles tinham estudado em escolas privadas e 33% em escolas públicas (outros 15% fizeram o ensino médio em ambos os tipos de escola).

O investimento mostra claramente as desigualdades. Diante de um exame exigente como é o vestibular das instituições públicas, que começam aprová-lo são os que estudaram em escolas privadas; os que estudaram em escolas públicas, de menor qualidade,5 restam as instituições privadas.

Os mesmos dados, quando são discriminados por estudantes ingressantes e conclusivos, mostram que 44% dos concludentes das instituições de educação superior privada, haviam cursado o ensino médio em escola privada, sendo que os documentos oriundos de escolas públicas eram 36%.

Nas instituições de ensino superior públicas, os documentos eram 31% com ensino médio em escolas públicas e 53% com ensino médio em escolas privadas, o que confirma as desigualdades anteriores.

Apesar da elitização, bolsistas detém os melhores índices de aproveitamento acadêmico

Apesar dos números que confirmam que estudar no Brasil é mais para os ricos do que para os pobres, os dados do Inep (Instituto Nacional de Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira demonstram que os alunos bolsistas, sobretudo os que participam do Programa Universidade Para Todos (Prouni), obtiveram melhores taxas de rendimento acadêmico no ENADE – exame feito de quatro em quatro anos pelo Ministério da Educação para avaliar as universidades brasileiras.

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